Pesquisas

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Existe cura para os viciados em trabalho?

Existe cura para os viciados em trabalho? Você é daqueles que já acorda pensando na sua agenda do dia? Costuma ficar depois do horário no trabalho? Deixa de passear nos finais de semana porque tem um trabalho a fazer? Quando dorme, sonha com situações vividas na empresa? Se você "vestiu a carapuça" diante das situações citadas, é possível que seja um sério candidato a workaholic, ou seja, viciado em trabalho.

Essa palavrinha, criada pelos norte-americanos, é a junção de alcoholic (viciado em álcool) e work (trabalho), designando uma síndrome que, ao contrário do alcoolismo, é aceita e até bem-vista pela sociedade, que admira quem vive para o trabalho e trabalha muito. Apesar de não existirem estudos que os quantifiquem, sabe-se que os "viciados em trabalho" constituem um grupo cada vez mais numeroso, pois encontram na tão falada globalização um ambiente propício para proliferar.
As exigências empresariais, resultantes das rápidas transformações do mundo contemporâneo, ocasionaram um aumento da carga de trabalho associado ao aumento das horas trabalhadas, pressionando o profissional a ter um maior envolvimento com os afazeres profissionais e com a organização, levando-o a buscar aprender mais, decidir melhor, agir mais rápido e atender a demandas também cada vez maiores.

O surgimento desses cenários mercadológicos de alta competitividade fez acentuar a existência da compulsão pelo trabalho, cujos motivos vão desde a necessidade de sobrevivência até uma necessidade pessoal de provar algo a alguém ou a si mesmo, ou ainda de "fugir" de conflitos emocionais, familiares etc. Dentro dessas necessidades, não podemos excluir também a vaidade - o desejo de status -, a ambição e até mesmo a ganância.

A psicanalista clínica, consultora, coach de executivos e administradora Giovana Brioschi de Carvalho comunga do princípio de que somos seres biopsicossociais e considera que tratar da questão do workaholic é tratar da dinâmica comportamental, das afetações sociais que esta conduta proporciona e das consequências somáticas que atingem este indivíduo.
Ela analisa que atualmente percebe-se uma distância quilométrica entre valores pessoais e necessidades reais. "Assolados pela mídia, pressionados pelo status social e minados na autoestima por não dar conta de ser um modelo vencedor, vemos náufragos em luta insana por um destaque muitas vezes digno de um deus do Olimpo", considera Brioschi.
Segundo descreve a especialista, parcialmente cegos e incapacitados de admitir fragilidades, os workaholics priorizam o mundo corporativo em detrimento da sua própria essência e para trás deixam a família, a espiritualidade, a saúde e o convívio puramente social, focados permanentemente em construir uma rede de negócios e sustentar resultados. Com seu desempenho e seu trabalho insano, tentam provar sua "capacidade" de serem "vencedores".


Matéria - Gestão de carreira - Revista ES Brasil